segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Eu ganho, você perde

Consola-te a coroa de ouro em tua cabeça de vento.
Consola-me simplesmente a cabeça ao sol.
Tens o riso das coisas que não precisam de riso,
só para mostrar os teus dentes de ouro.

Sorrio apenas quando alguém necessita de um sorriso.
As tuas vestes revestes de púrpura e brilha.
As minhas vestes simplesmente vestem a minha nudez.
Os teus ólhos, sarcásticos e frios, investem acima dos mortais.

O meu olhar, terno, atinge a alma e fala.
O teu corpo pesado é levado, conduzido na glória da carruagem.
O meu corpo caminha, altivo, leve, sem pressa de chegar.
Teu alimento completo, gordo, te ceva, te mata de fome.

Meu alimento, bruto, me conserva, me alimenta na fome.
Tua boca peçonhenta, inventa o mal e maltrata os anjos.
Minha boca sustenta a palavra na força do bem que me apraz.
Teu coração pulsa ciúmes e ódios e não encontra o caminho da alma.

O meu coração exulta de paz e amor e pulsa no compasso da alma.
A minha dor pode ser agora e nunca.
A tua dor não tem hora e é eterna.

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